26 setembro 2006

A Olho Nu - 2ª parte

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A recordação que trago de minha mãe é a mão áspera, porém carinhosa. Lembro também da sua respiração junto a mim, quando nas tardes chuvosas de inverno me punha com ela e minha irmã na cama para desfrutarmos o calor do acolchoado de penas que tínhamos lá em casa. De meu pai guardo a voz grave e pausada que herdei, que me explicava as paisagens que nunca vi. Lembro dele caprichosamente moldando argila, criando cenários de superfícies e inclinações para explicar como era linda a montanha que havia atrás de nossa casa. Depois andávamos pelo pasto e ele me dizia que eu deveria imaginar o relevo que ele me mostrou e multiplicar por muitas vezes e aí saberia como era. Quando um dia ele me levou até o alto e pude sentir o ar gelado que lá batia, me senti no topo de suas rústicas maquetes e tive a noção de quão pequeno somos no mundo e o quanto havia por descobrir.

Um comentário:

Nanna disse...

Silvio, encantador, simplesmente encantador!