26 outubro 2006

Laboratório Literário - VI



Estação Jabaquara, metrô de São Paulo, 27ºC

Na saída da estação, ao final da tarde, o tempo abafado com vento fraco e úmido que vinha de noroeste prenunciava a chuva que não tardaria a chegar. Acendeu seu cigarro e seguiu até a rua Luís Orsini de Castro, 372, muito próximo ao local onde, em 31/10/1996, saía de casa para o trabalho e avistou aquele enorme avião voando muito baixo até arrebentar-se contra as casas, inclusive a sua, onde seu marido e seu filho ainda dormiam. Era a primeira vez que voltava a São Paulo depois do enterro do menino e da busca pelo corpo do homem, que ainda muito jovem a trouxera para essa selva de alfalto e concreto, depois de terem se conhecido num encontro estudantil, em 1992, quando de caras pintadas ajudaram a derrubar um governo.
Da estação até o endereço, foram menos de quinze minutos, porém sua vida andou dez anos até parar diante daquele lugar que lhe havia sido indicado por um telegrama sucinto: "Venha pt notícias passado pt" assinado pelas iniciais do nome de seu marido desaparecido.
Estava a apenas duas quadras de seu antigo endereço e reconheceu o número 372 como sendo a casa de seu ex-sogro e soou a campainha. Na fresta da janela, atrás de uma cortina, aquele rosto conhecido, sofrido, amargo não lhe lembrava em nada a fisionomia feliz de dez anos atrás. Ele foi até a porta, liberou o portão e a convidou a entrar.

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Pois bem. Ela reencontra o marido dez anos depois. Quanta coisa a explicar...

1 - Ele a abraça ou a trata com distância?
2 - Ele a convida para rever seu antigo endereço ou vão ao túmulo do filho?
3 - Ela fica com ele ou volta até o apartamento do homem que a acolheu quando sua moto foi roubada?

2 comentários:

Tônio disse...

Parece que esta história ta caindo no feijão com arrozzzz ou tah se encaminhando pro final?

Quero uma reviravolta..hehehe

Ele a trata com distância, afinal são 10 anos né?!
Vão ao túmulo do filho, mas ela não pode ver e sai correndo...
Numa situação destas não tem como ela ficar com ele, um para o outro é sempre a lembrança da desgraça, difícil terminarem juntos.

Moita disse...

Silvio

Qualquer final escrito por voce será primoroso, não tenho dúvidas.

um abraço