20 outubro 2006

Laboratório Literário - IV


Taboão da Serra, SP, 19/10/2006, 17ºC, chuva.

No terceiro dia de viagem, o dinheiro já estava no fim e os lanches rápidos e frutas furtadas na estrada já não saciavam sua fome. Os out-doors de cerveja lhe chamavam a cada curva e isso lhe assustou. Há três anos não reparava mais nelas. Próximo a São Paulo, noite de chuva fina, que entrava por cada fresta de sua jaqueta de couro, obrigaram-na a parar e comer um prato feito.
Na mesa ao lado, ele cravou-lhe os olhos de ébano, enquanto ela tirava seu capacete e soltava seus cabelos castanhos, que com a umidade ficavam ainda mais crespos. O rapaz de sorriso alvo e pele negra, sorriu-lhe e convidou-a a sentar-se com ele mostrando-lhe a cadeira vazia, que lhe era um convite após dois dias que mal dormiu em abrigos precários e minutos sumários.
Conversaram como se conhecessem-se há muito tempo, ela falou de sua volta a São Paulo, ele falou de seu trabalho com vendas no interior, ela falou de sua moto, ele falou se seu cabelo, ela falou de seus olhos, ele não falou mais nada. Prometeram se encontrar de novo e ela sentiu-se amparada.
Antes de seguir viagem, fumou seu penúltimo cigarro, procurou no bolso trazeiro o bilhete com o endereço no Brás, pegou seu capacete rosa, saiu pela porta e não encontrou mais sua moto.

++++++

Amigos, Florianópolis é encantadora, mas não podemos viver todas as vidas numa só. Ele chegou na sua vida como quem surge numa chuva fina, quase neblina.

Deixo os próximos desafios:

1 - Volta e pede uma bebida ou chama a polícia?
2 - Consegue ainda encontrar com o rapaz ou pega carona para São Paulo num caminhão?
3 - Vai ao endereço que tinha ou a outro lugar?

8 comentários:

Saramar disse...

Sílvio, cheguei. Atrasada, mas estou aqui (é a correria, ai, ai).

Creio que a primeira alternativa não se aplica mesmo. A moto está perdida, por isso ela provavelmente pedirá carona até São Paulo e neste caminho, quem sabe? Talvez um novo encontro, uma possibilidade de mudar totalmente de rumo?

beijos

Alexsandra disse...

Sílvio, obrigada pelo comentário. Estou começando e eu sou Odilene Alexsandra Andrade do Lata Mágica. É que a Santa sugeriu que eu não misturasse textos com as fotos do LM, então fiz o blog com meu segundo nome. Obrigada.

Alexsandra disse...

Vou na terceira opção.

Saramar disse...

Sílvio, imagino que após ficar sem a moto, ela ficou desnorteada e nem irá mais procurar este endereço.

Santa disse...

Sílvio querido,

Este é mais um aviso do que um comentário. Peço desculpas se não visito meus amigos na medida que gostaria. É que infelizmente o problema da minha mão direita retrocedeu. Voltei às sessões de fisioterapia (+ 15). Consigo visitar um a três blogs por dia e tenho que interromper. Isso não impede que leia os blogs. Por outra, só não fechei o blog da santa ainda é porque minha indignação é maior do que a dor física. Bjs. E um Bom domingo!

Dalila Flag disse...

A moto pode estar perdida, mas não custa tentar chamar a polícia. Não, não vai para S. Paulo de imediato. Encontra novamente o rapaz. Depois pode ir, mas para um lugar diferente.
Ei, Sílvio, será que o final desta parte será feliz? Estou torcendo pra tudo dar certo.
Beijos

Tônio disse...

Bah, que bom isso da moto sumir, adorei,
1. volta e pede uma bebida, pra mim ela roubou a moto então não pode chamar a polícia..hehe
2.Pede carona pra São Paulo, ela tem que chegar lá a qualquer custo, não sei porque mas tem.
3. Vai ao endereço que tinha lógico, to curioso pra saber o que ela persegue!!

Roy Frenkiel disse...

Amigo Silvio, mil perdoes mas nao consigo acompanhar esta estoria. A proxima tentarei ficar bastante atento!

abrax

RF