24 outubro 2006

Laboratório Literário - V


Edifício Copan, São Paulo, 23 de outubro, 18ºC

Fumando um cigarro, do alto do vigésimo quarto andar, ela observa cidade imensa e sente-se um grão de areia no deserto. O sol lhe ofusca a visão e antes da última baforada ela olha para a cama desfeita e recorda de suas últimas noites de amor.
Desde que roubaram sua motocicleta na chegada da cidade, sob frio e chuva, sentiu como se caísse num enorme fosso.
Sob o néon de cerveja a cintilar em suas lágrimas, desistiu de tudo. Levantou-se do meio-fio onde chorara as últimas lágrimas que trouxera do sul e voltou ao bar, na ânsia de afogar-se numa cerveja, ou qualquer outra bebida que seus trocados alcançassem. Para sua surpresa, ele também voltou para buscar o casaco esquecido e se viram de novo. Como uma criança perdida e na aflição de quem está a beira do abismo procurou seus braços e ele a aconchegou até que ela recuperasse a voz e relatasse o que aconteceu.
Sua sina trazia-lhe por rumos e perdas, porém agora lhe mostrou uma nesga de luz. A carona à São Paulo seria um pretexto para o destino levá-la ao Copan, no apartamento onde ela voltou a sentir o prazer há tanto tempo sufocado em desalentos. O ruído das buzinas e do trânsito soaram com melodia. Primeiro sentiu um chão sob seus pés, para em seguida sentir flutuar em sensações.
Mas o tempo não espera... Ela teria que seguir os passos que lhe trouxeram até ali. Desde aquela manhã de 1996 em que viu o avião chocar-se contra sua casa, apenas pôde enterrar seu filho pequeno e nunca mais soube de seu marido. Era hora de procurar pelo endereço. Era hora de fechar os parênteses e retomar sua trilha. Era hora de trabalhar, sobreviver e para isso buscou novamente o papel amassado no bolso das calças caída no chão sob as dele.

++++++++

Amigos, as idéias oferecidas ficaram um tanto dispersas dessa vez e tive que montar meu quebra-cabeças com as peças que me deixaram.

Agora, o ponto é esse:

1 - Ela ganha um nome ou continuamos tratando-a em terceira pessoa?
2 - O que aconteceu com o marido após o acidente aéreo?
3 - Ficou óbvio que sua subsistência está relacionada com o endereço que trouxera. Que endereço é esse?

4 comentários:

Tônio disse...

Terceira pessoa, o marido não aguentou a pressão e elouqueceu, no papel tem o endereço da clínica, ela precisa que o marido tenha um momento de lucidez para lembrar onde guardou o segredo do banco no estrangeiro onde está uma grande soma de dinheiro que os dois guardaram do tempo que eram assaltantes de banco! Viajei.hehe

+ Kazzx + disse...

CAro Silvio,

Realmente o que conta são dos detalhes muitas vezes esquecidos, vou dar uma lida do começo e madar meu pitaco também....logo logo

Abçs

Mani disse...

Terceira pessoa, até o improvavel reencontro com o marido ( morto ou vivo?), e é o marido que a renomeia, que a encerra, que a poe de volta á vida que ela esperara perder....
-Noemia? Ele pergunta.
E ela responde, com voz entrecortada
- Sim, estou aqui.

Fabiana disse...

Sílvio,
Acabei de postar.Repassando....

Entrem no site: www.previdenciasocial.gov.br depois entrem no link : Benefícios e depois: Extrato de pagamento de benefícios. Uma vez lá, entrem com o seguinte número de benefício: 1025358780 e data de nascimento: 06/10/1945Vocês vão cair de costas com o nome que vai aparecer em: Nome do Segurado e o motivo da aposentadoria . E vejam a surpresa que tenho para vocês.. Tenham uma excelente semana..... se conseguirem depois de ver isso. hehehe pra vcs verem em que o pé que o Brasil anda!!!!