20 novembro 2006

Parapeito - VI


A enxurrada de fim de tarde atrasou-lhe o retorno para casa. Depois de um dia inteiro examinando excrementos humanos, sangues doentes e urinas fétidas, corria para seu apartamento para saborear seus desejos, feito doce em manhã de páscoa.
Antes de subir as escadas na entrada do prédio, lembrou-se da luneta a espreitá-la e voltou à calçada. Lá estava ele, com o instrumento direcionado para a sua janela. Pensou em ir até lá, mas dizer o quê se ele fazia exatamente o que ela experimentava todas as noites em direção ao motel? Subiu os quatro andares aflita: hoje seria protagonista.
A noite já iniciava a deitar-se sobre o horizonte, estendendo seu manto de estrelas após a chuva torrencial da tarde. Num ângulo que podia ser vista e com uma meia luz propícia, foi desfazendo-se de suas roupas e deixando a mostra suas carnes volumosas, porém bem distribuídas. Chegou a pensar em fazer uma dança, enrolar-se num echarpe, sob uma música de Kenny G., o som que mais gostava de ouvir enquanto se acariava. Mas, não. Apenas despiu-se displicentemente e de quando em vez jogava olhares para o homem de luneta. Ele entrou voando por sua janela e viu que aquilo não era uma luneta. Era algo mais interessante..., bem mais interessante. Ele passou a luneta entre suas coxas, subiu pelas suas costas enquanto ela se agachava para virar-se e receber em sua boca... Alguém bateu à porta.

3 comentários:

+ Kazzx + disse...

CAro Silvio,

Kenny G.???, ai parei, quebrou o clima....(rsss)....

Abçs....estou acompanhando...

Marcos

Ao Luar disse...

Aí, ela acordou e viu que estava sonhando...
nada que não acontecesse na realidade, mas com menos "magia", menos côr...

desculpe, mas apeteceu-me dar outro fim :)

Ao Luar disse...

voltei só para me desculpar... ao continuar a ler o anterior é que me apercebi que isto ainda não terminou...
uma vez mais desculpe